Escadaria 24 de Maio

 O que era para ser uma intervenção temporária, virou circuito de arte urbana Artemosfera.

Junto com moradores, apaixonados pelo resultado, Clarissa se comprometeu a manter a obra. E foi assim que a Escadaria 24 de Maio virou um ponto turístico da Capital — e um xodó dos porto-alegrenses.

A “escadaria colorida” foi visitada por turistas gringos e brasileiros nos últimos 10 anos, chamou atenção de artistas como o rapper Criolo, foi usada em comercial na Europa. É comparada com a Selarón, que liga a Lapa ao bairro Santa Teresa no RJ, embora não fosse esse o objetivo da artista. O que ela sempre quis foi levar um pouco de leveza e poesia a quem diminuísse o passo para ler as mensagens gravadas nos azulejos.

Além de desenhos que ela fez no seu ateliê, as peças têm trechos de poemas ou músicas, de Chico Buarque (“Eu semeio o vento na minha cidade, Vou pra rua e bebo a tempestade”) a Fernando Pessoa (“Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido”).

Também tem relatos de moradores da 24 de Maio sobre o abacateiro que uma vizinha tinha, as crianças do bairro e o medo da violência. Ela anotou os depoimentos através das janelas dos prédios antigos, que dão direto na escadaria.

Fez os modelos em folha de ofício, com a sua letra, e mandou para uma empresa de serigrafia estampá-los em azulejos coloridos. A colagem levou uma semana, e a trabalheira foi coroada com roda de samba e vizinhança reunida.

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